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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A Tartaruga e a Garça - (Kame-san to Tsuru-san)

Antigamente, a tartaruga tinha o casco liso como casca de cabaça. Nessa época, Kame-san, o sr. Tartaruga, vivia num pequeno lago.
Quando chegou o verão, a água foi baixando e baixando, devido à seca. Preocupado, o sr. Tartaruga ficava horas e horas olhando para o céu à procura de uma nuvem carregada de chuva. Mas o tempo foi passando e nada de chover.Certo dia, o sr. Tartaruga viu Tsuru-san, o sr. Garça, nas margens da lagoa e aproximou-se dele.
– Tsuru-san, você, que vive voando nas alturas, será que não viu nenhuma nuvem chuvosa vindo para essa direção?
– Sabe, Kame-san, o céu está azul de ponta a ponta. Nenhuma nuvem à vista, nem chuvosa, nem branca.
– Tsuru-san, estou preocupado. Se a seca continuar, a lagoa vai secar, e eu não vou sobreviver por muito tempo. O que devo fazer?
– Olha, Kame-san, essa lagoa é pequena e tem pouca água. Se a seca continuar, ela será a primeira a secar até o fundo. Você deve se mudar para uma lagoa maior enquanto é tempo.
– Mas Tsuru-san, será que existe alguma lagoa grande nas proximidades?
– Bem... Se você atravessar aquela montanha, do outro lado encontrará uma grande lagoa, cinco ou dez vezes maior que esta. Lá, moram cerca de 20 tartarugas, que vivem nadando folgadamente, levando a vida que pediram a Deus.
Aquilo sim é um bom lugar para você.
– Eu gostaria de mudar para lá. Mas tenho os pés curtos e levaria alguns anos para atravessar a montanha. Se fosse na estação da chuva, poderia agüentar bastante tempo; porém, em tempo seco como esse, creio que seja impossível eu agüentar até chegar do outro lado da montanha. Oh, como sou infeliz! Queria tanto ir para lá, mas não vejo como.
– Se você realmente quer ir até lá, podemos carregá-lo através da montanha.
– Realmente, Tsuru-san, isso é possível?! Eu imploro, leve-me até a grande lagoa!
O sr. Garça abriu as asas e começou a gritar: “kuwaa, kuwaa!”. Ele estava chamando outra garça. Não passou muito tempo, outra garça veio voando através da montanha e pousou no pequeno lago.Tsuru-san então pegou no bico um galho seco e levou-o para a frente da tartaruga.
– Tudo bem, Kame-san, morda a parte do meio deste galho e segure-se firmemente. Eu e meu amigo vamos morder nas extremidades do galho e levantar vôo em direção à grande lagoa.
Assim, a tartaruga travou os maxilares em torno do galho, e as garças, batendo as asas, levantaram vôo no sentido da montanha.No caminho, sobrevoaram uma aldeia de lavradores no pé da montanha.
Algumas crianças da aldeia viram a tartaruga pendurada no galho e duas garças carregando-a. As crianças acharam engraçado e riram para valer. Apontando para tartaruga voadora, gritavam:
– Olha que tartaruga maluca, está tentando voar como as garças!
– Que tartaruga ridícula, pendurada pelo pescoço, até parece cabaça achatada.
Kame-san ficou irritado e gritou:
– Garotos mal-educados!
Porém, ao abrir a boca para gritar, o sr. Tartaruga desprendeu-se do galho e caiu em queda livre em direção ao solo. Espatifou-se no chão de costas. Se seu casco não fosse duro, teria morrido; porém, com o impacto, o casco ficou com várias rachaduras. Por isso, até hoje o casco da tartaruga é todo fragmentado.

sábado, 12 de julho de 2008

Convencendo os outros

Um profeta chegou certa vez a uma cidade para converter seus habitantes.


A princípio, as pessoas ficaram entusiasmadas com o que ouviam. Mas - pouco a pouco - a rotina da vida espiritual era tão difícil, que homens e mulheres se afastaram, até que não ficou uma só alma para ouví-lo.


Um viajante, ao ver o profeta pregando sozinho, perguntou:


- Por que continuas exaltando as virtudes e condenando os vícios? Não vês que ninguém aqui te escuta?
- No começo, eu esperava transformar as pessoas - disse o profeta. - Se ainda hoje continuo pregando, é apenas para impedir que as pessoas me transformem.

domingo, 2 de março de 2008

Lobos

Um ancião índio, certa vez, descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira:


"Dentro de mim há dois lobos. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando."


Quando lhe perguntaram qual lobo vencia a briga, o ancião parou, refletiu e respondeu:




"Aquele que eu alimento mais freqüentemente" ...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Desapego


Um dia um homem já de certa idade abordou um ônibus.

Enquanto subia, um de seus sapatos escorregou para o lado de fora..


A porta se fechou e o ônibus saiu; então ficou incapaz de recuperá-lo.


O homem tranqüilamente retirou seu outro sapato e jogou-o pela janela.


Um rapaz no ônibus, vendo o que aconteceu e não podendo ajudar ao

homem, perguntou,
- Notei o que o senhor fez. Por que jogou fora seu outro sapato?

O homem prontamente respondeu,

- De forma que quem o encontrar seja capaz de usá-los. Provavelmente
apenas alguém necessitado dará importância à um sapato usado encontrado
na rua. E de nada lhe adiantará apenas um pé de sapato..

O homem mostrou ao jovem que não vale à pena agarrar-se a algo

simplesmente por possuí-lo e nem porque você não deseja que outro o
tenha.

Perdemos coisas o tempo todo.
A perda pode nos parecer penosa e injusta

inicialmente, mas a perda só acontece de modo que mudanças, na maioria
das vezes positivas, possam ocorrer em nossa vida.

Como o homem da história, nós temos que aprender a desprender.
Alguma
força decidiu que era hora daquele homem perder seu sapato.

Talvez isto
tenha acontecido para iniciar uma série de outros acontecimentos bem melhores para o homem do que aquele par de sapatos.

Talvez a procura
por outro par de sapatos tenha levado o homem à um grande benfeitor.


Talvez aquele rapaz precisasse presenciar aquele acontecimento para

adotar uma ação semelhante.

Talvez a pessoa que encontrou os sapatos

tenha, à partir daí, a única forma de proteger os pés.

Seja qual for a razão, não podemos evitar de perder coisas.
O homem
sabia disto.
Um de seus sapatos tinha saído de seu alcance.
O sapato
restante não mais lhe ajudaria, mas seria um ótimo presente para uma

pessoa desabrigada, precisando desesperadamente de proteção do chão.

Acumular posses não nos faz melhores e nem faz o mundo melhor.
Todos
temos que decidir constantemente se algumas coisas devem manter seu

curso em nossa vida ou se estariam melhor com outros.

Parábola da Raposa

" - A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. - Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas, mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!


- O que é preciso fazer? perguntou o principezinho.


- É preciso ser paciente.- respondeu a raposa.


-Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto..."

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O vaso de porcelana e a rosa


O Grande Mestre e o Guardião dividiam a administração de um mosteiro zen.


Certo dia, o Guardião morreu e foi preciso substituí- lo.


O Grande Mestre reuniu todos os discípulos para escolher quem teria a honra de trabalhar diretamente ao seu lado.


- Vou apresentar um problema, disse o Grande Mestre.
E aquele que o resolver primeiro será o novo Guardião do templo.


Terminado o seu curtíssimo discurso, colocou um banquinho no centro da sala.


Em cima, estava um vaso de porcelana caríssimo com uma rosa vermelha a enfeitá-lo.


- Eis o problema, disse o Grande Mestre.


Os discípulos contemplavam, perplexos, o que viam: os desenhos sofisticados e raros da porcelana, a frescura e a elegância da flor. O que representava aquilo? O que fazer? Qual seria o enigma?


Depois de alguns minutos, um dos discípulos levantou-se, olhou o mestre e os alunos a sua volta.
Depois, caminhou resolutamente até o vaso e atirou-o no chão, destruindo-o.


- Você é o novo Guardião, disse o Grande Mestre para o aluno.


Assim que ele voltou ao seu lugar, explicou:


- Eu fui bem claro: disse que vocês estavam diante de um problema. Não importa quão belo e fascinante seja, um problema tem que ser eliminado. Um problema é um problema; pode ser um vaso de porcelana muito raro, um lindo amor que já não faz mais sentido, um caminho que precisa ser abandonado - mas que insistimos em percorrê-lo porque nos traz conforto.


Só existe uma maneira de lidar com um problema: atacando-o de frente.


Nestas horas, não se pode ter piedade nem ser tentado pelo lado fascinante que qualquer conflito carrega consigo.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Fábula - O pássaro e a flor


Era num dia sombrio
Quando um pássaro erradio
Veio parar num jardim.
Aí fitando uma rosa,
Sua voz triste e saudosa,
Pôs-se a improvisar assim.
"ó Rosa, ó Rosa bonita!
Ó Sultana favorita
Deste serralho de azul:
Flor que vives num palácio,
Como as princesas de Lácio,
Como as filhas de 'Stambul.
Corno és feliz! Quanto eu dera
Pela eterna primavera
Que o teu castelo contém...
Sob o cristal abrigada,
Tu nem sentes a geada
Que passa raivosa além.
Junto às estátuas de pedra
Tua vida cresce, medra,
Ao fumo dos narguillés,
No largo vaso da China
Da porcelana mais fina
Que vem do Império Chinês.
O Inverno ladra na rua,
Enquanto adormeces nua
Na estufa até de manhã.
Por escrava - tens a aragem
O sol - é teu louro pajem.
Tu és dele - a castelã.
Enquanto que eu desgraçado,
Pelas chuvas ensopado,
Levo o tempo a viajar,
- Boêmio da média idade,
Vou do castelo à cidade,
Vou do mosteiro ao solar!
Meu capote roto e pobre
Mal os meus ombros encobre
Quanto à gorra... tu bem vês! ...
Ai! meu Deus! se Rosa fora
Como eu zombaria agora
Dos louros dos menestréis!. . .
Então por entre a folhagem
Ao passarinho selvagem
A rosa assim respondeu:
"Cala-te, bardo dos bosques!
Ai! não troques os quiosques
Pela cúpula do céu.
Tu não sabes que delírios
Sofrem as rosas e os lírios
Nesta dourada prisão.
Sem falar com as violetas.
Sem beijar as borboletas,
Sem as auras do sertão.
Molha-te a fria geada...
Que importa? A loura alvorada
Virá beijar-te amanhã.
Poeta, romperás logo,
A cada beijo de fogo,
Na cantilena louçã.
Mas eu?! Nas salas brilhantes
Entre as tranças deslumbrantes
A virgem me enlaçará
Depois cadáver de rosa
A valsa vertiginosa
Por sobre mim rolará.
Vai, Poeta... Rompe os ares
Cruza a serra, o vale, os mares
Deus ao chão não te amarrou!
Eu calo-me - tu descansas,
Eu rojo - tu te levantas,
Tu és livre - escrava eu sou! ...

Castro Alves

A Princesa e o Dragão- Lenda Japonesa

(Texto e Ilustração: Cláudio Seto)




Há muitos séculos, vivia, em uma pequena aldeia montanhosa, um velhinho e sua esposa. Certa ocasião, os dois foram a um santuário agradecer a Zenchi no Mikoto, o Deus da Graça Divina, pelo dom da longevidade da qual eles foram contemplados. Na volta, quando caminhavam para casa, viram no rio um cesto sendo levado pela correnteza. Curiosos, pegaram uma vara de pesca abandonada e puxaram o cesto para a margem do rio.


O casal levou um tremendo susto, porque no cesto havia uma criancinha sorridente. Como o casal não tinha filhos, interpretou que aquela graciosa menina era um presente do céu, já que durante as orações de agradecimento no santuário, haviam comentado que se tivessem filhos, a felicidade do casal estava completa.


Assim, levaram a criança para casa e a trataram com muito carinho. O tempo passou e a criança transformou-se numa linda moça. Ela era tão bonita que todos a chamavam de Hime (Princesa).


Na vizinhança, moravam dois irmãos que gostavam dela desde o tempo em que eram crianças. O irmão mais velho era esperto e muito ativo; o mais novo, amável e muito pacato.


Um dia, quando o senhor feudal visitou a aldeia durante o Festival da Colheita, vendo a moça dançar, gostou muito dela e a requisitou para morar no castelo como uma das suas concubinas.


Os aldeões ficaram satisfeitos, pois a sua ida para o castelo do senhor representava prosperidade futura da aldeia, pois ela poderia interceder junto ao senhor feudal para fazer melhorias. Porém, duas pessoas da aldeia não gostaram. Eram os irmãos que amavam a garota. Desgostoso de tudo, o mais velho foi até o penhasco e saltou para dentro do lago. Logo a seguir, o irmão mais novo. Nesse exato momento um dragão surgiu na superfície do lago e os aldeões pensaram que ele se transformara num dragão. Na verdade, o dragão era o pai dos irmãos, Ryuoo, o Rei dos Dragões.


Certo ano, na região, houve uma longa estiagem. O campo agrícola estava completamente seco e o grande lago, quase seco. Diante disso, o senhor feudal ordenou que os aldeões fizessem campos de arroz no lago semi-seco. Assim, os lavradores começaram a remover a terra do fundo do lago. Porém, nessa noite, todos os lavradores tiveram o mesmo sonho: a bela Hime apareceu a cada um deles e fez um pedido dizendo para preservar o lago como está.


Mas ninguém deu ouvido ao pedido e continuaram cavando a terra para o plantio, pois estavam desesperados. Se a seca continuasse, todos morreriam de fome.


O fundo do lago foi todo revirado pelos homens da aldeia. Então, Ryuoo ficou irritado e a água foi aumentando, aumentando, até causar uma inundação. As águas carregaram as mudas de arroz para superfície, levando-as para o campo tradicional e arrastando os corpos dos irmãos que estavam mortos no fundo do lago.


Hime vendo Ryuoo foi conversar com ele:


- Por favor, Rei dos Dragões, use seus poderes para trazer os dois irmãos à vida.


- Esses dois eram meus filhos, mas nada posso fazer, pois eles sacrificaram a vida por vontade própria. Somente outro sacrifício pode reverter essa situação.


- Eu amei os dois. Ajude-os em troca de meu sacrifício. Para dizer a verdade, trago em meu ventre um bebê do irmão mais velho, disse Hime chorando.


- Lembre-se, você, que é tão linda, se entrega sua vida em sacrifício, jamais poderá retornar à forma humana. Será para sempre um dragão feio.


Hime concordou em se transformar em dragão e viver para sempre no fundo do lago com seu amado que, após voltar à vida, preferiu a forma de dragão. O irmão mais novo adquiriu novamente forma humana e retornou à aldeia com o bebê de Hime e de seu mano.


Quinze anos depois, o bebê havia se transformado em uma linda garota. Por isso, como a mãe, todos da aldeia a chamavam de Hime (princesa).


Um dia olhando para o lago, seu tio disse:


- Fomos salvos por sua mãe 15 anos atrás. Ela era bonita como você. Aceitou ser transformada em dragão para salvar a minha vida e a de seu pai. Eu prometi que retornaria ao lago quando você completasse 15 anos. E hoje é o dia do meu retorno.


Dizendo isso, o irmão mais novo mergulhou no lago e nunca mais voltou.


Atualmente o lago é chamado de Lago Tazawa, cujo nome faz referência à plantação de arroz.


Comentário: O lago Tazawa está situado no parque nacional Towada Hachiman, na região leste da província de Akita, e é o lago mais profundo (423m) do Japão. No local, a lendária princesa, que passou a ser chamada Tatsuko Hime (Princesa Dragão), tem sua estátua dourada instalada como símbolo do lago

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A árvore e seus frutos

O GUERREIRO LEMBRA-SE DO PASSADO.
Conhece a busca espiritual do homem, sabe que ela já escreveu algumas das melhores páginas da História.


E alguns de seus piores capítulos; massacres, sacrifícios, obscurantismo. Foi usada para fins particulares e viu seus ideais servirem de escudo para manipulações terríveis.


O guerreiro já ouviu comentários do tipo: “como vou saber se este caminho é sério?” Viu muita gente abandonar a busca por não saber responder a esta pergunta.


O guerreiro, porém, não tem dúvidas, segue uma fórmula infalível. “Pelos frutos, conhecereis a árvore”, disse Jesus.


Ele segue esta regra, e não erra nunca.