terça-feira, 6 de novembro de 2007

Os animais ficando mais humanos e os humanos tornando- se mais animais?

Todos nós pudemos ler o artigo sensibilizador da Greice, onde mostrava a solidariedade de um João- de- Barro que alimentava um Chupim preso num poste de eletriciddade.

Uma cena incomum e ao mesmo tempo de encher nossos olhos de lágrimas, por trazer uma centelha de esperança em nossa rotina frenética num mundo violênto e injusto.

E hoje, ainda pensando neste artigo, lembrei- me de uam situação que viví.
Como alguns sabem, sou apaixonada por gatos desde o berço. Fui criada assim por minha mãe que também cresceu cercada por eles. E não seria diferente com meus filhos.

Há 3 anos atrás, eu não tinha nenhum gato em casa. Alguns vizinhos têm o péssimo hábito de matar os gatos alheios com raticidas. Muitos de meus gatos que perdi, foram mortos assim.

Mas, as crianças sentiam muito a falta dos bichanos. E eu muito mais. Possuo uma ligação espiritual com gatos que não posso explicar... Indentifico- me com eles!

Então, devido meu trabalho pela internet com aconselhamento à suicídas e adolescentes que auto- se mutilam, manipulava constantemente energias negativas, resultando numa dor intensa na fronte direita. A dor latejava, empalidecendo- me de tal forma que esverdecia! Quando alcançava seu auge, eu perdia a consciência. Não fui a médicos... Não creio mais neles! Mas, sabia que eu precisava de um gato, como sempre foi!

Num sábado, ví em um site de adoção a Marry, 3 meses e apaixonei- me: eu tinha certeza de que ela havia nascido pra mim! Pedi que fossem buscá- la na hora, e assim que ela entrou dentro de casa, a dor se foi pra sempre!

O nome Marry mudou para Kyara, pois assim ela preferia. Ela faltava falar e foi criada como uma pequena criança, cheia de mimos e dengos, transformando- se no centro da atenção de nossa família.

Kyara era além de especial: sempre sabia o horário que as crianças iriam chegar e ia para a calçada esperar por elas... sempre os acompanhava como se fosse um cão de guarda... e a noite, quando as crianças iam dormir, ela revezava divindindo a noite em 3 turnos para dormir um pouco com cada.

Ela parecia entender tudo o que diziamos e era ela que sempre estava aqui no pc, me acompanhando em minhas tarefas. Percebia ela puxando as energias negativas de mim!

Quando ela cresceu mais um pouco, e teve seu primeiro cio, decidi que deixaria ela ficar prenha, para ter um filhote dela que possuísse sua mesma função! Ela ficou barrigudinha e teve 3 filhotes: Yanco, Nanuke e Saraby sendo está sua escolhida!

Sempre era visível a preferência de Kyara por Saraby, e às vezes, tinhamos a impressão de que ela ensinava algo à filha.
Os outros filhotes ganharam lar, quando deposi de 3 meses para nossa surpresa, ao voltarmos de viagem de férias, percebemos que ela estava prenha de novo! Ìamos castrá- la no retorno e não deu tempo.

Ficamos felizes! Filhotes da Kyara eram sempre bem vindos! Ela era uma mãezona! A filha, apesar de nova ainda, era bem maior que a mãe! Mesmo assim, Kyara permitia que ela ainda mamasse.

Duas semanas antes de Kyara ter sua segunda ninhada, meu filho mais novo encontrou num terreno abandonado aqui perto duas gatinhas, que ainda nem haviam desmamado, e as trouxe pra casa!
As outras duas estranharam no começo, mas logo saraby, para mostrar que estava aprendendo direitinho as lições que sua mãe lhe passava, começou a se aproximar das novas moradoras. Em 3 dias já eram muito amigas e dormiam juntas.

Kyara, assim como minhas antigas gatas, quando queriam ter os filhotes escolhiam o lugar para a cria. E ela escolheu na cama de cima da beliche das crianças. Preparei e forrei tudo para o grande momento dela. Estava perto!

Quando chegou o grande dia, ví a Kyara arrastando sua filhona com a boca casa à fora! Achei estranho e fui ver o que ela pretendia! Ela com muita dificuldade, tentava colocar a filha enorme no lugar onde escolheu para ter os bebês. Eu fui e ajudei, tentando manter a filhotona no lugar que ela havia deixado. De repente, vem a Kyara de novo, agora arrastando uma das gatas que haviam sido encontradas no meio do mato. E a mesma cena repetiu- se com a outra órfã.

Quando viu que as 3 estavam lá, ela se deixou e puxava as 3 gatas para mamar! E mamaram muito! A Saraby mesmo sem nunca ter dado cria, deixava as órfãs mamar nela, para talvez cubrir a carência que tinham de mãe: nem chegaram a mamar e foram abandonadas!

Mamaram até dormir, e quando Kyara as viu assim todas satisfeitas, ela deu sua nova cria: mais 3 gatinhos!
Assim que nasceram, ela juntou os 6 que ela cuidava igualmente, sem distinção.
Entendemos que ela adotou as duas órfãs, antes de ter os novos filhotes!

O tempo todo estava ela a cuidar de todos, e seu amor era tanto, que até na cadela enorme no quintal, ela ia dar banho e fazer carinho!

O tempo foi passando, e coisas estranhas estavam acontecendo. E isso se confirmou com a frequência de Kyara perto de mim. Eu passava horas tirando fotos de todos os momentos dela. Dessa segunda cria, ficou o Yago, a cara da mamãe!

No meio do ano, Kyara estava na calçada, acompanhando as crianças e foi atropelada! Entrou automáticamente em choque, e nenhum dos meus esforços puderam salvá- la: ela morreu nos meus braços!
Senti uma parte de mim indo embora, e passei dias chorando, até que Saraby começou a ficar no mesmo lugar que minha companheira ficava no pc.

Pelo olhar, eles se comunicam! Entendi que se eu ficasse triste assim, ela não poderia me deixar senti- la. E por muitas vezes, ví ela andando pela casa.

Passaram- se os meses, e novamente quando tudo estava pronto para castração das mocinhas, duas estavam prenhas! As crianças pularam de alegria! As duas órfãs iam ser mamães! Arte do Yago!
Saraby cuidava dos irmãos com o mesmo cuidado que Kyara. Mesmo sem uma gota de leite, dava de mamar a todos eles.

Mas, numa manhã nublada, ao procurar Saraby não a encontrei. Balancei o pote de ração e nada. Saí na rua desesperada e la´estava ela, estendida na calçada de uma mulher sem coração... Morta!

Não sei dizer o que fez doer: se a ingorância de um ser humano que age como um monstro sem compaixão, ou a perda!
Kyara não tinha ensonado só a saraby, mas também a mim lidar com isso. Mas, meu peito rasgava de dor! Não conseguia entender como alguém podia fazer tal crueldade com um animal tão lindo!

Isso deixou- me tão inconformada, e preocupada com os tantos gatos do vizinho da frente, e com a nova ninhada que viria, entrei numa campanha pedindo o fim da comercialização de chumbinho!
E a luta ainda não parou!


Há uma semana atrás, Lincinha, uma das órfãs adotadas por Kyara teve 6 gatinhos e sei que em um deles se esconde minha companheira.
Nunca ví filhotes tão lindos e diferentes!
Ela escolheu dentro do guarda roupas de meu filho mais velho que ela ama demais. Passado uns dias, ela quis mudar- se para meu guarda roupa! E pra ela se sentir segura, esvaziei tudo e deixei ela fazer a casinha dela.

Nessa manhã passada, fui acordada pela Lora... Só faltou ela colocar a patinha na cintura e dizer: Hey! Nem tenho lugar ainda pra por minhas crias!
Levantei correndo, peguei um dos endredons(meus endredons sempre acabam virando cama de gato). Quase não deu tempo! Veio o primeiro! Ela se levantou e foi pra junto da irmã dentro do guarda roupas. Fiquei com receio de que alguma coisa desse errado entre elas e não deixei.
Correu tudo bem e ela teve seus lindos gatinhos!

Depois do parto, Lincinha se ausentou, e um de seus filhotes não parava de miar! Fazia 3 dias que ele não parava de miar alto, e percebi que o leite da Lincinha deveria estar fraco. A Lora, ainda cansadinha do parto, levantou- se e foi dar mamar para a ninhada da irmã. Quando percebia que seus filhotes recem nascidos acordavam, ela voltava pra eles e os amamentava. E fico nesse vai e vem até Lincinha voltar!

E quando voltou, acho estranho encontrar a irmã dormindo com seus filhos... Mostrei a ela as crias de Lora, e ela deu banho neles. Como esses nem se moviam de tão satisfeitos, ela voltou ao seu canto e chamou pelos seus filhotes. Esses também não se mexeram: dormindo profundamente de tanto que mamara.

De repente, um dos filhotes recem nascido mia alto. Lincinha vai até ele, e pega o 'sobrinho' com a boca, colocando junto de seus filhotes. Se deitou e olhou pra mim como se dissesse: - Pega os outros pra mim?

Peguei os novos bebês e coloquei com Lincinha, que os amamentou! Ela ajeitou- se ao lado da irmã e dormiu!
Logo depois, ví que estavam dividindo as crias: se no princípio parecia que tinham trocado de ninhada, agora estava todos misturados! As duas estavam cuidando, amamentando e limpando as crias juntas, deitadas juntas e limpando o rostinho uma da outra!

Senti as lágrimas vindo aos meus olhos...
A cena fica cada vez mais linda: elas revezam pra sair do ninho! Quando uma precisa sair, a outra puxa pra sí todos os filhotes! Quando retorna, troca de lugar!
Agora mesmo, olhando aqui do lado, posso vê- las fazendo carinho uma na outra, dão banho nos filhotes e uma na outra. Lora chega a por a patinha na orelha da irmã pra limpar melhor!

Me sinto previlegiada... Estou assistindo animais que são mortos e maltratados pelos 'seres ' humanos' civilizados, dando- me uma lição de solidariedade desinteressada e sincera!

Em um tempo onde vemos no noticiários, mães que mau tem seus filhos, os jogando em córregos fedidos e latas de lixo! Onde adultos desiquilibrados sexualmente matam e estupram crianças! Onde jovens espancam idosos por dinheiro!

Eu olho para os animais...
E tenho uma esperança no meu peito de que um dia a humanidade quem sabe possa ser bem melhor!

Um comentário:

Tatiana disse...

olá! estava lendo um questionário q vc respondeu na APO e achei muito interessante, pois coisas parecidas já aconteceram comigo, mas pararam á algum tempo! Queria saber mais e ficaria muito feliz se nos pudessemos manter contato! Tenho muitas dúvidas sobre algumas coisas e estou tentando me "achar".Acho q vc pode me ajudar...

meu e-mail
adams_compan1@hotmail.com